terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O desespero




Era um dia de sol, céu azul e nuvens brancas enfim um lindo dia, estávamos as duas a beira-mar, minha pequena brincando n'agua despreocupadamente, começamos a caminhar numa calçada
ao que parece levava à um forte, a água batia com força quando chegamos, enquanto caminhavamos notei que tudo derepente parou, as águas cessaram, imagine um mar absolutamente sem ondas, nenhum peixe, nenhuma ave, algumas voando para longe d'agua, completamente mórbido há não ser pelos banhistas que estavam por ali aproveitando o dia, achei estranho mas não me preocupei de início, passado um tempo começei a fazer o caminho regresso observando tudo, a cada passo a água baixava um pouco mais, não é normal pensei, parei olhando o movimento das águas e senti um frio gelar todo meu corpo, olhei para minha filha que tentava pegar um pouco de água enquanto ela se retraia cada vez mais e senti que deveria sair correndo dali enquanto houvesse tempo, não pensei no que realmente aconteceria, mas senti que seria arrasador, só queria proteger minha nenén, peguei-a no cólo e o corri para o carro, no mesmo instante já estavamos em casa arrumando malas, a pobrezinha não estava entendendo nada, então me olhou calminha com aqueles olhinhos meigos e perguntou se eu queria ajuda, pedi que fosse buscar as escovas e pasta de dente, ela saiu tão linda e toda contente por estar me ajudando com algo, como são belas as crianças tanta sensibilidade em tão pouco tempo de vida, me peguei quase aos prantos nessa hora, mas engoli em seco, não queria que ela me visse desesperada, não iria ajudar em nada. Mesmo assim meu desespero era tamanho o meu sofrimento, vê-la correr pela casa contente, minha pequena conhece tão pouco da vida, merece viver mais e é tão linda, olhar minha casa, sentir cada pedaçinho de amor e carinho postos ali, que dor, e foi com essa dor que saimos o mais rápido que consegui providenciar tudo, pegar o cachorro e sair. No caminho o telefone tocou era alguém por quem meu coração se partiu novamente em três, ele estava voltando pra casa e nós não tinhamos tempo para esperar, pedi que voltasse que nos encontraríamos em um lugar distante do mar, distante do perigo, acordei apavorada, não sei se ele me escutou, mas lembro de ter visto seu rosto tão desesperado quanto o meu...